All Those Yesterdays
às vezes eu olho pra mim, cara, e vejo aquele maldito filminho da vida.
cada hora de um jeito diferente.
daí boto essa voz lazarenta do Eddie pra preencher as lacunas do momento, e volto pra casa escrevendo na cabeça um texto bonito, que daqui há alguns anos eu lerei e terei saudade, e quem sabe publicarei.
porra, dá vontade de escrever quando se lê os Morangos Mofados do Caio Fernando Abreu, ou O Retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde. Mas não adianta.
eu só sei fazer música mesmo, e ó lá!
no duro, Holden - Fê! - é de música que eu gosto mesmo.
de música, de amigos e de vinho
.pausa
quando se perde tudo...
quando se está no fundo do poço...
é que se alcança mesmo o rabo da filha da putinha da liberdade. Só quando todas as esperanças vãs se esfarelam é que floresce a vontade única e real de viver, que permeia todo o ser, que deseja os tais amigos e música e flores ao redor.
só quando não mais brilham as luzes artificiais é que realmente se enxerga.
nu escuro.
quebre todas as tuas lâmpadas!
quando se deixa de usar as merdinhas de lembranças empilhadas como degrau é que se consegue enxergar alguma coisa, e não só atolar e feder e sofrer e apodrecer mais e mais.
Violência. É preciso amar com violência.
matar o trabalho sem dar explicação.
deixar que enporcalhem o chão de vodka com morango pra que todo mundo, de algum forma, se abrace num mosh. Isso é amor! Isso é violência! - o resto é "net agradece a ligação, tenha um bom dia", com casinha limpa e sobretudo, vazia.
É preciso destruir o que não faz sentido.
e não adianta trapacear, que de maneira alguma você consegue sentir o que não sente.
Só aquilo que se sente mas não faz sentido ainda não está na hora de morrer.
ou talvez nunca deva.
tudo é eterno até que acabe.
(Pau no cu do Vinícius!)
de alguma forma, Zeiguinho, a paz de espírito é uma opção.
e a juventude, Oscar, é mesmo a única coisa que se vale a pena ter.
